Como era fácil sair na chuva só de casaco e pijama. Ele saiu, com a cara nua, depois de tomado umas, uns goles de vinho. E mesmo com a chuva o que lhe vinha era comprar revistas, entrar em bancas de jornais e comer todas as figuras masculinas. Ele que era um solitário dentro de uma casa com mulher e filhos que só faziam grunir e espernear. Ele que era uma criatura que vivia para a igreja, a família e assistia ao futebol com os amigos e com as cervejas. E depois daquele tapa da hilda hilst, depois daqueles tragos, a vida para ele só se resumiu naquilo. E rodopiou, rodopiou com os dentes roxos que ele só sabia mostrar depois de grandes gargalhadas para a chuva. Deixou a mulher na janela gritando que ele era um louco. Mas precisava mesmo das páginas, figuras, uma por uma, com o rosto e corpo de modelos famosos e outros desconhecidos. E, indiscriminadamente, voltava para casa com revistas de esporte, uma baguete em baixo do braço, sacos de presunto e mortadela, quem sabe uma pizza, talvez, e, no saco preto, com suas revistas quase prontas, com homens de todos tipos, de todas a posições. Frente, costas, braços e rostos. Tudo aquilo esperando a sua aprovação. Mancha de tinta branca que se tornava incolor em poucos minutos, frisando as páginas e que aos poucos tudo ia se desfazendo, com os rostos ficando indefinidos e disformes, em meio das páginas grudadas e aquela era a edição final terminada no suspiro aliviado de um novo adolescente, enquanto sua mulher batia a porta dizendo que ele esquecera o refrigerante.
sábado, 28 de novembro de 2009
Tara
Para "Recife"
Quando chegar perto de ti,
Para um dia declamar uma poesia,
Sussurrando junto a tua boca,
Para sentir o roçar da tua barba
Com seus fios a acariciar o meu lábio
Deixando em suspense o beijo
E te deixas eriçar teus pelos a cada sílaba
Nuca, queixo de ângulo quadrado,
Esta sílaba que desce
Peito, barriga, púbis.
E as passagens se tornam desconexas
Emoção e sentimento
O beijo que te quero dar e não dou.
Ou mesmo propositalmente
Exercitando minha safadeza
Escondida entre o suspiro
Da pausa entre as estrofes
Para que um dia me peças
Para que se repitam os mesmos versos
Sem sentido e o com o sentido maior
De novamente sentir
Minha poesia a tocar os teus lábios.
Assinar:
Postagens (Atom)

